sábado, 22 de março de 2014

Hoje bateu uma nostalgia...

Era mil novecentos e tarará quando ele apareceu lá em casa. Aquela novidade tecnológica, aquela modernização escandalosa, aquele círculo que, de tão pequeno, gerava até dúvidas se caberia tantas informações. Mas cabia. Ele, por si só, cabia na mão. Era fininho, brilhante e colorido, muito atraente. Ele...

o CD.


- Tem música do outro lado também? - perguntou um curioso quando as faixas acabaram.

- Acho que não, na contracapa só diz que vai até o número nove... - respondeu o portador daquela grande inovação.

Será que dá pra enxergar a agulha? - indagou outro, tentando ver o que tinha dentro da gavetinha que se abria e fechava ao toque de um botão.

- Tem que rebobinar pra ouvir de novo? - as perguntas eram absurdas...


Sim, eu me lembro do primeiro CD que entrou naquele aparelho de som: continha histórias infantis, tinha um palhaço sorridente na capa e foi comprado na revista Avon. Se você tem mais de 25 anos, deve ter uma lembrança parecida com essa. Se não, acho que sua infância não foi feliz como a minha. (Se você tem mais de 30 e a sua saudade é do vinil, então você ainda vai compreender o que eu digo.)

A chegada do CD mudou a rotina. Logo a galera queria se reunir pra ouvir as novidades. Quem tinha o novo CD daquela cantora X, da banda Tal, do grupo Y, detinha uma certa popularidade. E dependendo do CD que você tinha em casa, você era muito legal ou muito brega. Que saudade desse período... as amizades duravam mais. Ou menos, se você era do tipo que pegava emprestado e não devolvia, por exemplo. Se arranhasse, então? Nunca mais! Naquele tempo, como ainda não se havia proliferado a praga da pirataria, um CD era um artigo de muito valor, financeiro e sentimental. 

Ainda hoje, eu mantenho um certo apego a meus antigos cds e costumo comprar novos. Não que eu não goste das inovações tecnológicas, da liberdade musical atual, onde facilmente pode-se fazer um download gratuito ou comprar apenas as músicas pela internet. Isso certamente tem suas vantagens, afinal acumular e organizar aquelas capas plásticas exigem muito espaço e tempo, coisas que não cabem mais nos nossos dias tão corridos e nos nossos "apertamentos" cada vez menores. 
Mas o download não nos fornece a surpresa e as emoções contidas no encarte: as fotos e as letras das músicas impressas naquele caderninho davam todo um ar de "algo mais". O portador daquele panfletinho tinha uma certa intimidade com aquele cantor, aquela banda. Ele lia os agradecimentos e ficava sabendo detalhes da vida do seu ídolo, nome dos parentes e amigos, sabia quem tocava qual instrumento, enfim, sabia o que só quem era "fã" mesmo podia saber. Hoje em dia, basta seguir o ídolo nas redes sociais, não é? Mas não é a mesma coisa.

As crianças e adolescentes de hoje nunca sentirão aquele turbilhão de emoções que tínhamos ao rasgar o plástico que lacrava aquela caixinha quadrada. Nunca saberão como é divertido ser o primeiro a ter acesso ao conteúdo mais esperado pelo seu grupinho de amigos. Não sentirão mais o prazer de passar as tardes ao som daquelas 10, 11 ou 12 faixas. Não saberão porque hoje é tudo tão fácil e rápido que não gera emoções, não dura tempo suficiente para ser marcante. Ainda bem que eu pude viver isso. Eu nunca vou esquecer aquele palhaço sorridente.

Um comentário:

Unknown disse...

Nossa!!!!!!! Muito legal! Até eu fiquei nostálgica... apesar de eu não ter mais de 25 anos. kkkkk